terça-feira, 15 de novembro de 2011

PROCLAMEMOS A RES PÚBLICA 4


PROCLAMEMOS A RES PÚBLICA 3


PROCLAMEMOS A RES PÚBLICA 2


PROCLAMEMOS A RES PÚBLICA!!


OROPA, FRANÇA E BAHIA


Pão e poesia


SALVE ZUMBI


preto no branco


                    ponho o preto no branco
                              não se negue nem se zangue
                    tem branco com sangue de preto
                              tem preto com branco no sangue
                    aponte o dedo do preconceito
                              que ponho do dedo na ferida
                    quem discrimina morre de medo
                              ou se acha com rei na barriga
( in Mineral, Ricardo Evangelista, Editora Rede Catitu Cultural, primavera de 2010 )


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O QUE MUDOU NA CULTURA?

Isso ocorreu em fins da década de 1990. Então perguntamos, pois saber sabemos tão pouco. Afinal, ( nós) cidadãos de segunda classe não estudamos em Paris, nem nos EUA. O que mudou? Montes e montes de projetos aprovados em lei e quem captou? Nesse país ninguém responde. É melhor tapar o triste sol escaldante com a peneira da hipocrisia.


O Suicídio do Artista 

Augusto Boal

- “Graças a V. Exa., podemos agora escolher nossos artistas!” – disse ao Ministro da Cultura um empresário feliz, em pública reunião, faz dois ou três anos, agradecendo-lhe a privatização da cultura.

Tempos atrás, cabia ao Ministério e às Secretarias, com quase exclusividade, o patrocínio das artes. Hoje, vai-se de porta em porta, pires, pratos de sopa ou cornucópias na mão! – o tamanho de recipiente depende da intimidade que se tenha com o poder. Para as empresas, alegremente autorizadas a usar dinheiro de impostos na estética publicidade dos seus produtos, foi grande negócio. Para os artistas, creio que não: dou meu singelo testemunho.

No ano passado, graças ao CCBB, dirigi uma experiência teatral de certa magnitude, a SambÓpera CARMEN, na qual se respeitavam as melodias de Bizet casadas com nossos ritmos.

Sucesso extraordinário. Tanto, que o New York Times publicou tremenda reportagem recheada de fotos do espetáculo que, para o jornal, não tinha equivalente em mais de cem anos de vida dessa ópera – agradável exagero! O diretor do Festival Paris-Quartier d´Été acudiu correndo, e convidou CARMEN para se apresentar no coração de Paris, no Palais Royal, teatro de mil lugares, cercado pelo Louvre e pela Commedie Française, em julho passado.

CARMEN é, por excelência, a ópera nacional francesa: sua versão sambística, em Festival tão prestigioso, causou espanto e admiração. Felizes, resolvemos reincidir e preparamos outra SambÓpera: Verdi, LA TRAVIATA, homenagem ao quarto centenário do gênero Ópera que nasceu com a famosa EURÍDICE de Peri-Rinuccini, composta para celebrar o casamento do Rei Henrique IV com Maria de Médicis.

Maiores atrativos publicitários, impossível: samba, ópera, Verdi, Bizet, Times, Paris, Festival... Estávamos certos de que os empresários fariam fila à nossa porta, gritando ofertas como se estivessem em pregão da Bolsa de Hong-Kong.

Não estavam... Fomos à cata da produção com cinqüenta cópias do nosso Projeto, CDs e partituras. A maioria das empresas consultadas já disse que o projeto é belíssimo: “Você, Boal, sempre inventando, heim?... porém... não combina com os nossos produtos.” Os comerciantes querem vender: nada mais lógico. Loucura nossa pensar que uma heroína-prostituta, que morre tuberculosa no quarto ato, fosse capaz de vender espaguete ou pertences de feijoada, por exemplo. Deveríamos, talvez, ter procurado um fabricante de penicilina ou pneumotórax: erro nosso!

Diante da ameaça de novas e contundentes recusas, pensei que, se não são mais os artistas que determinam seus próprios caminhos e sim os empresários - a quem devemos respeitosamente ajudar a vender suas mercadorias! - mais cedo do que se pensa, nossa arte, já razoavelmente moribunda, estará à beira do falecimento total e definitivo, em cova rasa.

Como denunciar essa morte silenciosa? Pois que de outra coisa não se trata, se não de morte, o fato de se deixarem artistas sem patrocínio. De que serviria Van Gogh sem pincéis e tintas? Beethoven e Mozart sem piano ou cravo? Embora eu não saiba tocar nenhum instrumento musical, por mais reles reco-reco que seja, nem tenha intimidades cromáticas com pincéis e tintas, pensei em suicídio. O Suicídio do Artista Sem Patrocínio!

O exemplo me veio do Vietnã: monges se matavam afim de atraírem a atenção do mundo sobre a guerra iníqua. Conhecendo as necessidades da propaganda, não morriam confortáveis em suas camas, solitários, ou bebendo cicuta em canudinho, como Sócrates, entre bons amigos: eram espetaculares e, em praça pública, ateavam-se fogo às vestes, diante de flashes e câmeras de TV.

Pensei que o Suicídio do Artista Sem Patrocínio deveria seguir as mesmas normas de teatralidade daqueles religiosos. No Brasil, porém, as pessoas andam tão atarefadas, completando seus magros salários correndo de um emprego a outro, que um homem, esturricando-se ao sol do meio dia, no Largo da Carioca, talvez não atraísse o público desejado; talvez não desse Ibope. Imaginei, então, uma orquestra modesta que atraísse transeuntes para perto do suicida: eu, é claro, porque nenhum dos meus colegas - sempre tão solidários e mesmo achando a idéia ótima! - aceitou o sacrifício, por mais que eu insistisse. Deviam ter lá suas razões.

Sendo a música de boa qualidade - como é, no nosso caso! – talvez corrêssemos o risco inverso, atraindo demasiada platéia: seria então necessário construir uma plataforma sólida para o incendiado, e arquibancadas à prova de fogo para os ávidos espectadores.

Labaredas são mais atraentes e coloridas em silenciosa noite escura do que ao sol gritante. Portanto, nosso espetáculo pirotécnico deveria ser realizado depois do anoitecer, o que nos obrigaria à instalação de, pelo menos, 20 ou 30 refletores.

Para gerir esse belo espetáculo incendiário, necessitaríamos maquinistas, eletricistas, e teríamos que contratar uma boa agência de promoções, imprimir convites e um programa explicativo da filosofia do evento – pois que a tinha! - em bom papel de seda, etc. Sobretudo, fazia-nos falta um excelente produtor.  Isso não se faz sem dinheiro.

Recorremos então aos Captadores de Recursos, profissão inventada pela atual Lei de Incentivo à Cultura, como contribuição ao combate ao desemprego: são especialistas encarregados de fazerem as empresas soltarem a grana.

Até hoje nenhum Captador respondeu, sequer, à nossa demanda. O maravilhoso e emocionante espetáculo do Suicídio do Artista Sem Patrocínio fica, assim, adiado sine die... por falta de patrocínio. Talvez para logo depois da silenciosa e recatada Morte da Arte e da Cultura.

Pede-se não mandar flores.

Se, porém, sua vontade de prestar esta última homenagem fúnebre à nossa cultura em coma for irresistível, sugere-se o envio de doações, ajudas, subvenções, etc., ou simples palavras de afeto, a algum jovem grupo de artistas cênicos ou plásticos, que saberão explicar porque escolheram dedicar suas vidas à arte e à cultura, ao invés de atividades mais lucrativas como os leilões e a Bolsa, nesta época em que o Lucro e o Deus-Mercado são a mais recente encarnação do bezerro dourado.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SACINVENÇÃO - (TER)INVENÇÃO URBANA


Este é o resultado da performance realizado pelo poeta Ricardo Evangelista no workshop Performance e Política, coordenado por Bia Medeiros, na Funarte/MG. Agradeço publicamente o carinho e a disponibilidade de todos os entrevistados: Mamuete, Diego Azambuja, Clóvis, Márcio, Rebeca, Ana Clara.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SARAU TROPEIRO NO ARTE PELA PAZ DA BSGI - 2010





SARAU TROPEIRO, em 2010, Colégio Monte Calvario, evento Arte pela paz, organizado pela BSGI , produção Guilherme Marques.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ARTE EM FOCO - PERFORMANCE E POLÍTICA

Participo das palestras de 24 a 26 de outubro,  na III Edição do Projeto Cultural Arte em Foco. Arte em Foco 2011, Tema: Performance e Política, com a palestrante: Professora Maria Beatriz de Medeiros (UnB), Horário: 19 às 22 horas. vamos lá?




SACINVENÇÃO

Os saciólogos Ricardo Evangelista e Sueli Silva entrevistam: Fabrini, Márcia, Elmo Gomes, Ana Gomes, Maria, Adão, Cláudio Márcio e tantos outros, em intervenção do Sarau Troperio, realizada no dia 20/10/2011, na Lagoa do Nado, em BH. Divertido e criativo. VIVA O MÊS DO SACI!!! .

Acesse fotos da intervenção, registrada por Elmo Gomes: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.297939613551625.85474.100000067661224&type=3

SACINVENÇÃO - INTERVENÇÃO URBANA DO SARAU TROPEIRO

ACESSE E VEJA DETALHES: http://youtu.be/sjiJpIErKvs

Boletins do canal

Boletins do canal

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


NÃO TÍCIA DE HOJE


JORNAL DO SARAU TROPEIRO

Belo Horizonte, 20 de outubro de 2011.


- Eu ou o saci
dono dessa mata
quem quiser passar
vai ter que me pedir
vai ter que adivinhar:
O que é o que é?
O que é o que há?
Porque sou o saci.
Segundo os estudiosos da saciologia, Ricardo Evangelista e Sueli Silva, formados pela Universidade Fulorestal de Minas Gerais, no mês de outubro é comum o aparecimento do Saci em regiões com resquícios de matas presentes nos parques das grandes cidades. Pois de acordo com estes saciólogos, o desmatamento das regiões interioranas fez com que o comportamento do Saci mudasse. Adaptando à realidade urbana o negrinho passou a aparecer em grandes centros onde existem parques e áreas verdes disponiveis. O local escolhido pela negrinho de uma perna só seria Lagoa do Nado, em Belo Horizonte. Local mágico onde hoje se reunirá poetas e artistas do PAZ E POESIA, para celebrar o aniversário do Centro de Cultura Lagoa do Nado - quinta feira, mais precisamente às 19:30h. Parece que o negrinho de gorro vermelho vai aprontar poucas e boas estripulias, sacizices e soltar versacis para todos. Quem não viu e quer ver o saci, e quem já viu, sinta-se saciconvidado. Para saber mais ligue no 32777420 ou fale com o saciólogo Ricardo Evangelista, (31)96920283.

domingo, 16 de outubro de 2011

SARAU TROPEIRO NA LAGOA DO NADO

foto arquivo Sarau Troperiro 2011

Sarau Paz e Poesia
 
Lançamento das revistas-posteres e inicio das atividades do PAZ E POESIA com recital e coquetel - sarau especial: 4º ano do Paz e Poesia, 7º ano do Sarau Tropeiro ( homenageia o mês do Saci, com performance surpresa), 11º ano do Sarau da Lagoa do Nado - tudo isso no 19º aniversário do Centro de Cultura Lagoa do Nado.
Dia 20 de outubro de 2011 – 19:30 horas
Local: Centro Cultural Lagoa do Nado
Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904,  Itapoã
Ônibus: Todos os que passam na Av. Pedro I
Tels.: (31) 3277-7420 / 7321

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

POETA FAZ SACI APARECER EM BELO HORIZONTE

No dia 7/10/2011,às 13;15 horas, o SACI apareceu na E. E. Alberto Delpino, no Barreiro, em Belo Horizonte. Propus essa intervenção poética inusitada na OFICINA DE POESIA: levei um SACI de "pano" para dentro da sala de aula. O SACI foi confeccionado pela modelista e figurinista e cantora  Sueli Silva, companheira de criação do dueto performático e de intervenção poética SARAU TROPEIRO. O menino pretinho como a semente do mamão, que anda numa perna só, serelepe, brincalhão, protetor das matas e detentor dos saberes da natureza impactou a sensibilidade e inspirou a imaginação de mais de 40 crianças de 9 a 11 anos daquela escola. A vivência poética que coordenei teve a participação do poeta Marco Llobus, agora neste ano um dos sensilibilizadores do projeto PÃO E POESIA ( inventado por Diovani Mendonça ). As crianças produziram poesias, trovas, desenharam, expressaram-se a criatividade, num clima descontráido e altamente lírico. Consequência do pode de uma figura emblemática e das mais poderosas criada pelo miaginãrio popular brasileiro. Que aliás devvia ser o símbolo da Copa do mundo de 2011. As crianças usaram e abusaram da criatividade. Parecia que estávamos na SACILÓPOLIS. Nossa didática se resume me disponibilizar vídeos ( uso notebook ), músicas, livros e falar muita poesia sobre o SACI. A partir dessas provocações encorajamos as crianças a criarem, expressarem-se ludicamente ( gisz de cera, lápis, fala, corpo. A tarde trasncorreu de uma maneira agradávle e alegre, com muita ludicidade. A oficina terminou com a meninada subindo nas carteiras e declamando, recitando, mostrando seus desenhos. Estimulamos uma competição poética onde o prêmio foi um belo gorro vermelho confeccionado por Sueli Silva. Nicole foi a aluna premiada Enfim, teve bastante sacizice. Aproveitamos e comemoramos o mês das crianças e do Saci, que tem o dia 31/10/2011, como seu dia oficial. SACI E POESIA É SUCESSO SIM!

Texto: Ricardo Evangelista

PRA REZAR PELO MENOS UMA VEZ POR DIA!!!


ORAÇÃO DO ARTISTA
Autor: Ricardo Evangelista

Senhores deuses da arte, que estão conosco nos palcos, picadeiros, praças e ruas de todo recanto deste país, santificai nossa função de divertir, poetizar, sensibilizar e emocionar o público mais diverso onde quer que estejamos, mesmo que a bilheteria seja pequena.
Daí--nos dignidade, saúde e harmonia para desempenharmos da melhor maneira o nobre ofício de artista.
Protegei nossos passos no caminho infinito da imaginação e do lirismo e obrigado pela fantasia poética fazer parte de nossa existência.
Fazei com que nosso talento se aprimore sempre e nos livrai da dor de cabeça, da cólica, da inveja e da ziquizira.
Livrai-nos também, daqueles produtores que tentam nos passar a perna, dos empresários lacaios do mercado cultural e do mau humor de alguns técnicos de som.
Bendita seja nossa perseverança e paciência, para continuarmos fazendo arte nesta cidade e neste estado.
E por fim, livrai-nos do mau agouro, do estrelismo, da desunião e da arrogância, tão praticados por nós do meio artístico. 
Agora e na hora do nosso fracasso e do nosso sucesso, amém!!!


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

MINER(AL): TELURISMO ORGÂNICO


MINER(AL): TELURISMO ORGÂNICO

Por lopes cançado de la rocha

al1
[Do lat. *ale, por alid, na f. clássica aliud, ‘outra coisa’.]
Pronome .1.Ant. Outra pessoa, outra coisa; o mais: “Al não disse, e, fitando olhos ardentes /
Na moça, que de enleio enrubescia, / Com discursos mais fortes e eloqüentes / Na exposição
do caso prosseguia” (Machado de Assis, Poesias Completas, p. 154). Substantivo masculino
2.Ant. As outras coisas; o mais; o resto. [© O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa].

A essas alturas (das Alterosas) e por baixo de tantas avalanches, quem irá nos ouvir? Poetas que tratam de cotidianos facilmente identificáveis por um determinado público – quase sempre grupo de amigos – entre poetas livres, autônomos e aventureiros frente a possíveis leitores. Estes últimos são vozes soterradas ecoando com resistência. Vozes subterrâneas a escombros deixados pelos tão conhecidos pactos de leitura. Tudo quanto nos recomendam a ler deve servir aos estados de ânimo de tais e quais diligências,sem nenhum compromisso com o ato da leitura proveitosa. Sem nenhum compromisso com a liberdade e inter-relação humana. Tudo deve servir para alguma lição instantânea.
Desaguamos no desestímulo à co-leção. Negação do colecionador de textos. Importante assinalar que, entre poetas, escritores, entre nós artistas, poucos adquirem, colecionam e comentam obras de nossos próprios pares. Estamos nessa condição porque a maioria escreve muitos poemas e lêem pouca poesia;
assim como muitos músicos tocam mais do que ouvem. Enfim, os artistas estão mais fazendo do que apreciando artes.
Tal conjuntura prolifera mares de náugrafos, sismógrafos de escrita trêmula e de olhos desatentos a tudo que seus companheiros de tempo manifestam. Eis as batalhas navais e surdas entre egos imaturos. Luiz Arias Manzo e Rogério Salgado suplicam: “hablemo-nos, toquemo-nos, ouvimo-nos”.
Precisamos urgentemente nos provocar, instigar os não-leitores e os leitores autodirigidos, para que novos leitores-escritores de poesia nasçam, cresçam e morram ainda com mais vida.
Ricardo Evangelista responde por essa urgência em Mineral. Um poeta entregue à interlocução e ao livro como fonte aberta, dialogal. Observa-se no título a desinência ‘-al’ ao invés de ‘-idade’ ou ‘-ança’: mineiridade,mineirança, mineral. Em Mineiranças (1991), Fábio Lucas já nos chamava atenção para estas alternâncias do discurso indentitário em Minas.

2

Desde que o conheci, no sarau do Parque da Lagoa do Nado, vi em Ricardo a valorização do intercâmbio, da troca sincera e saudável. O interesse pela condição alheia. Li, posteriormente, um poema de sua autoria intitulado Pessoas numa embalagem de pães (Pão e Poesia, em qualquer esquina, em qualquer padaria). Neste poema verificamos reflexões sobre seu pertencimentoregional/nacional. Pessoa resume que Minas Gerais não são tão somente múltiplas e diversas, mas também fragmentada. Há aqui os mais variados extintos, interesses, conflitos, “vocações & tendências”, bem como influências externas, inter-regionais e internacionais.
A coleção de poemas de Mineral acaba por confirmar isso. Referem- se a pessoas, outros trabalhadores culturais, reverenciando o diálogo entre gerações, entres artistas e mestres contemporâneos. Os mineiros metropolitanos e atuais já não são mais ensimesmados, são mais extrovertidos, têm “muitos desvios” (p.38).
A literatura como participação e sua função fática nos instiga a reinventar a realidade em que vivemos. Falar é agir. Ricardo age como escritor, bom declamador e músico-poeta: um ser engajado na vida. Evocaremos novamente
Rogério Salgado: “antes de sermos grandes poetas, sejamos grandes seres humanos”. Peguemos por exemplo o apelo do poema Gente (p. 43), aqui em tom de aviso com muita franqueza.
Em “Urgente viver” há imagens rememoráveis de divertimentos de rua e uma alusão ao dificílimo ato de entregar, abrir mão para a troca. Quem realmente gosta de poesia se entrega ao livro de versos como a uma taça de vinho. “O velho do rio” é um conto em versos. “Efeito estufa” se aproxima dos poetas ditos marginais nos anos de chumbo. Vejamos isso também em outras passagens, onde há galicismos e estrangeirismos propositais.
Capa telúrica, dialogando com o título e uma arregimentação interessante. Os poemas inaugurais nos embalam para mais tarde respirarmos com versos brancos da poesia narrativa e romântica.
Um livro para se ler em voz alta, ainda que alguns não o considerem de “alta linguagem”, porque o autor demonstra um modo musical de viver sua poeticidade da forma mais humana possível: utilizando-se da clareza da comunicação e da vivacidade espontânea do popular. Subterrâneo por ser raiz e aéreo pela sua oralidade.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

POETA FAZ SACI APARECER EM ESCOLA ALBERTO DELPINO

Hoje tem oficina de iniciação à poesia e a arte, na Escola Alberto Delpino, com o tema do SACI. Tô levando um SACI de pano, criado pela figurinista Sueli Silva e a brincadeira vai rolar. Criei uma dinâmica para trabalhar a expressão artística da meninada que vai ser uma surpresa. Abraço, amanhã conto como será. boa sexta!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TRABALHANDO O RICO MINÉRIO DA VOZ POPULAR


Sobre “Mineral” (BH, Rede Catitu, 2010)
do poeta-músico Ricardo Evangelista

Trabalhando o rico minério da voz popular


A Crítica

Um dos problemas da academia é certamente o academicismo. Os acadêmicos que escrevem para outros acadêmicos. Um dialeto que o povo (os 'leigos') desconhece. Academicismo sobre o qual já falamos em outras oportunidades. Mas há um outro: a preocupação em distinguir arte popular de Arte erudita. Ou um tipo de arte do povo para o povo, uma arte praticamente não-registrada, analfabeta, pictórica, concreta, bem diferente de um outro tipo de Arte, mais culta, mais auto-reflexiva, mais educada, mais abstrata.

Ao fazer a distinção, a academia logo se coloca ao lado (quando não se declara a origem) da Arte culta, refinada, objeto de análise da Crítica, e relega a segundo plano a arte popular. Como se povo não tivesse alcançado a 'educação', como se a cultura espontânea do povo estivesse em falta com os padrões do cânone (isto é, o que é escolhido e sugerido pelos scholars).

Certamente que alguns autores têm (e tiveram) mais acesso aos bens culturais do que outros. É esta a única diferença. Não há uma arte melhor do que a outra sob critério de quem tem diploma e quem não tem. Importa, antes, a qualidade intrínseca da Obra. Existem muitas obras de arte popular que 'humilham' outras da Arte culta, dos acadêmicos que fazem pós-doutorado e se animam a escreverem contos, poemas, romances.

Se ao acadêmico sobra erudição, pode faltar talento e espontaneidade. Sim, talento e espontaneidade que existem de sobra em muitos artistas sem acesso ao meio acadêmico. Uns têm muito talento, e pouca informação; outros têm informação, mas pouco talento. O ideal seria aliar o espontâneo ao erudito – somar qualidade artística pessoal ao conhecido patrimônio artístico compartilhado. Muitos artistas se julgam originais – e estão reinventando a roda! Culpa deles? O fato é que desconhecem o patrimônio artístico já existente.

Outros artistas conseguem dialogar muito bem com ambas as artes distinguidas pelos acadêmicos. Pois tais artistas conhecem o cânone e o subvertem - ou criam à margem do mesmo. Ao conhecimento do cânone agregam o próprio talento pessoal mais a audácia da mudança, de criar o novo. E como toda criação nunca é a partir do nada, o que ajuda estes artistas é justamente a enorme quantidade de informações culturais que conservam. Quanto mais sabem, mais podem subverter o existente, mais podem fazer o cânone se curvar ao talento pessoal.

Para estes artistas a distinção 'arte popular' X 'Arte culta' é mero rótulo, mera fantasia acadêmica. Pois eles conseguem dialogar com todos os estratos de informação – dos mais básicos aos mais eruditos – e criar algo mais pessoalmente marcante, que seria difícil a quem apenas conhece um lado da moeda. É justamente o artista que supera limites e definições que haverá de fazer a diferença quando a arte popular se tornar massificação e alienação e a Arte culta se torna cânone e padrão.


Mineral


Nesta obra a poesia de Ricardo Evangelista é uma poesia popular e ao mesmo tempo demonstra conhecimento escolástico. É popular ao clima daquelas de Solano Trindade, de Patativa do Assaré, de Adão Ventura, mas com algum apuro estético, o que o aproxima de João Cabral de Melo Neto e Manoel de Barros, com um toque mais imagético, além do musical, rítmico. Sim. Afinal de contas, o poeta é também músico, qualidade que o destaca entre os demais.

É pra ler 'Mineral' a imaginar o poeta recitando. Sonoridade: eis o leitmotiv da obra. É uma poesia que foge das páginas, que busca a sonoridade explícita de poesia oral – de cordel, de embolada, de cantoria.

Continua em


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PORCELAIN UNICORN



Outubro: que sejamos bem melhor, mais ético, mais poético e bem humorado do que temos sido. Inspirados na alma do SACI PERERÊ!!! Viva o SACI!!!
MÊS DA CRIANÇADA, MÊS DO SACI PERERÊ!!!
UM VIVA À TODA ALMA DE SACI PERERÊ!!

Poeta Ricardo Evangelista no projeto PÃO E POESIA

Nesta semana estou coordenando vivências poeticas e iniciação artistica com a mennida da Escola Estadual Alberto Delpino, 3384-2398, no - Barreiro,  BH/MG. PERÍODO DAS OFICINAS:  03/10, 05/10, 07/10 HORÁRIO: 13h15min às 15h15min, alunos entre 9/11 anos. Outubro, mês da criançada, mês do SACI PERERÊ. Dica, VEJA o filme:PORCELAIN UNICORN

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tolerância - série poemas digitais


Este poema foi publicado no ano de 2004 no livro MOJEPOTARA, por RICARDO EVANGELISTA e em 2009 a cantora e compositora Sueli Silva criou a melodia, em seguida o SARAU TROPEIRO musicou o poema com participação de Daniel Carlos tocando violões e criando as harmonias, e Gibran Muller na percussão. Em seguida o virou vídeo poema - criação do SARAU TROPEIRO.

Tolerância - Sarau Tropeiro



Este poema foi publicado no ano de 2004 no livro MOJEPOTARA, por RICARDO EVANGELISTA e em 2009 a cantora e compositora Sueli Silva criou a melodia, em seguida o SARAU TROPEIRO musicou o poema com particpação de Daniel Carlos tocando e criando as harmonias e Gibran Muller na percussão. Em seguida o virou vídeo poema - criação do SARAU TROPEIRO.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pão e Poesia - TV BETIM - Jornal 53 - 17.02.10.avi

2010

Pão e Poeisa - Ricardo Evangelista e Sueli Silva - 20.08.08


Em verdade sou incitador, estimulador, encorajador das crianças e adolescentes no universo poético das oficinas do PÃO E POESIA. Através de minhas performances, declamAções e vivências poéticas , há 2 anos me coloco omo um dos responsáveis por incentivar a criançada para produzir seus textos nas oficinas de poesia desse belo projeto. O PÃO E POESIA visa publicar os poemetos das criançass da região do Barreiro nas embalagens de pão e oferecer a leitura da poesia logo cedo, no café nosso de cada dia.. O projeto é criação de Diovvani Mendonça, quem eu conheci pelas redes socias da net, há mais ou menos 4 anos e desde de então somos parceiros. Comecei enviando meus poemas para publicar nas embalagens e hoje coordeno a oficna de poesta ( trovas e quadras ). Muito me honra ser parceiro desse projeto que estimula a leitura, a escrita e a vivência lúdica com a palavra. Durante todo o segundo semeste de 2011 estaremos distribuindo a semente do trigo da poesia em nossas vivências com as crianças do Barreiro e contando para vocês um pouco dessa história.. Como diria José Paulo Paes: Vamos brincar de poesia?

Poeta Ricardo Evangelista no projeto PÃO E POESIA

Em verdade sou incitador, estimulador, encorajodor, um introdutor da criança e adolescentes no universo poetico nas oficinas do PÃO E POSIA. Através de minhas performances declamções e vivências poéticas , há 2 anos cme coloco omo um dos responsávis por incentivar a criançda produzir seus textos nas oficinas de poesia desse belo projeto. O PÃO E POESIA visa publicar os poemetos das crianças das da região do Barreiro, nas embalagens de pão oferecer a leitura da poesia logo, cedo, no café nosso de cada dia.. O projeto é criação de Diovvani Mendonça, quem eu conheci pelas redes soscias da net, há mais ou menos 4 anos, e desde de então somos parceiros. Comecei enviando meus poemas para publicar nas embalagens e hoje coordeno a oficna de poesta ( trovas e quadras ). Muito me honra ser parcediro dese que estimula a leitura, a escrita e a vivência lúdica com a palavra. Durante todo o segundo semeste de 2011 estaremos distribuindo a semente do trigo da poesia em nossas vivências com as crianças do Barreiro e contando para vocês um pouco dessa história. O proejto foi aprovado pela Lei de Incentivo à cultura do Estado de Minas, é patrocinado pela V & M.do Brasil. Como diria José Paulo Paes: Vamos brincar de poesia? Assista aos vídeos sobre o projeto nos linkis abaixo.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AGENDA SETEMBRO

Estarei ministrando oficinas/sensibilização poética no projeto PÃO E POESIA no Barreiro:
Escola Estadual Dom Bosco
Rua Visconde de Ouro Preto,208 - Industrial, Contagem/MG.
12/09, 14/09, 16/09, 19/09

Escola Estadual Margarida Brochado

Rua Barão de Coromandel, 426 - Barreiro, Belo Horizonte/MG.

21/09, 23/09, 26/09, 2RAVAÇÃO 18:00 HG8/09


 Dia 20/9/2011 -Sarau Tropeiro grava programa "Pra Ler" -RÁDIO UFMG -(104,5FM) - às18 h.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sarau Tropeiro de Poesia Virtual - edição setembro 2011

PRIMAVERA, VERDADE PRIMEVA.. ESEPRANÇA NA HONESTIDADE SEMPRE

SÓ DE SACANAGEM
Texto: Elisa Lucinda.

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.
Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!
E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval!
Vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.'
Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.
Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'
E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!


ORAÇÃO AO DEUS MUDANÇA DO TEMPO
Texto: Ricardo Evangelista

O amor me enxuga as lágrimas ante as batalhas mal sucedidas do tempo.
Porque sempre ha em nós, homens e mulheres,
frequentadores do obscuro jardim deserto do medo,
alguma força silienciosa tecendo os retalhos rotos da esperança
no meio da da noite imensa do destino.
Mesmo que as mão humanas se manchem de sangue
ao sacudir do chicote de ódio do destino, 
e essa força valha tão pouco, aos colhos da indiferfença que nos corrói, 
um deus sem igreja singra a estrada com uma débil flor nas mãos. 
E mesmo que tenhamos a impressão temporária de que os olhos de tantos irmãos
só enxergue o despetalar da flor e o desbotar da cor, 
novos botões de esperação romperão, 
com não sei que força o horizonte do agora.
Porque em certos tempos,
o tilintar das taças de ódio  e o jogo de dados do destino,
faz um alarde que cobre de névoa fria e esconde, momentaneamente, 
a possibilidade de crença na humanidade. 
Mesmo diante de tempos assim, 
a voz rouca e macia da esperança
cochicha nos ouvidos do povo não sei que segredo.


trinta talentos
Marco Llobus – origem Dores do Indaiá – reside em BH/MG

fustigado e quase apagado
resvalando em pó...
feito destempero

pueril, e turvo
uma cortina semi translúcida,
entre uma chuva de dentes...
                                 de leão

                        um véu sobre as realidades

um des-sonho
descabendo em compasso
e assim foi
assim será

e toda aquela valsa,
descontinuada e calada,
... presta-se a cadeiras vazias

as mãos desatadas,
os sorrisos vagos,
e não se sabe do que?

gracejos de feras
o cheiro do tempo,
... foi sonho, foi passado

                        um véu de vaidades

... desacertos continentais
e sobre a pangeia de nosso mundo,
uma ilha para cada lado


Creio no afeto
Antonio Carlos Altheman  - Monte Alegre/SP

Sexo pode afetar
sim as pessoas
independente
de ser homens
ou mulheres,
ou gays
nós seres humanos
fomos criados para
sermos amados,
ou acreditamos nisso
e a ausência do afeto
causa uma grande sensação
de não pertencimento,
de angustia,
de solidão, tristeza,
depressão
entre outros sintomas.
O pior é que cada vez mais,
na nossa sociedade estamos
vendo esse tipo de psicopatologia
crescendo cada vez mais
e as conseqüências são varias
desde auto destruição,
até a ataques contra a coletividade.
Vamos demonstrar mais afeto
pelo próximo essa é a solução.



Para
Bilá Bernardes- reside em Belo Horizonte

Para se ter direito,
a palavra
exata

Para se ver direito,
o olhar
atento

Para se ser direito,
o respeito
mútuo

Para seguir direito,
o aprendizado
no erro



A infalível fé
                            Lopes cançado de la rocha – Santa Luzia/MG

Vai nas asas da zabumba
Vai dançando pé no céu
Vai no corte do pandeiro
Driblando arranha-céus
Na tosse da guitarra
Na parábola do chapéu
No rabo-de-vaca rasteiro
Vai na glória do troféu.